domingo, 16 de outubro de 2011

Feito em casa


FEITO EM CASA

Flores e sabiás nas toalhas de enfeitar
Ponto cruz , ponto cheio, crochet, ponto atrás
Vários verdes, azuis, amarelos

 Para o banho, toalhas tingidas de saco

Quarados no anil,
Panos de prato, guardanapos

Lençóis de cretone
Esbanjando sinhaninha e bordado inglês

Travesseiro de paina do quintal

Colchão de palha barulhenta

Vestidos de passeio copiados das revistas da capital
Roupa grossa pra trabalhar na roça

Fogão acimentado de vermelho

Do porco, das tripas ao filé-mignon:
Gordura em neve nas latas da despensa
Lombo, linguiça, torresmo...
Sabão no tacho baixo do quintal

Café, da planta ao bule de ágata
Verdura da horta

Pão de sal, pão doce,
Rosquinha de pinga
Rosca de trança

Queijo, manteiga,
 Requeijão puxa-puxa pra brincar

Doce de abóbora,
De leite, de cidra, de mamão
Laranja...

Vestiram, para sempre,

O corpo
A mente
O coração!











































































































































































































































sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Da terra

Praticamente tudo o que se consumia em casa era retirado da própria terra.

 O arroz e o feijão do dia a dia,  com os quais os italianos se acostumaram de vez (Dio me guarde, polenta "nantra olta", dizia mais ou menos assim, o pai) eram plantados e colhidos na época da safra, ensacados e estocados na tulha.Tinham que durar o ano inteiro. O arroz era guardado com a palha e, quando necessário, levava-se uma ou duas sacas para  a máquina de beneficiar, na cidade. O feijão era debulhado em casa mesmo, nas horas de folga, guardados e, vez ou outra, colocados ao sol pra secagem.

O café, ah, a menina dos olhos do pai! Com a casca ainda verde, lavado, e já no terreirão,  era mexido e remexido. Faziam-se fileiras de café, que ocupavam todo o espaço do terreiro, de cabo a rabo. O pai passava o rastelo várias vezes, de forma que todos os lados do grão tomassem sol. De manhã, de tarde... Quando ele percebia que o céu ficava nublado, que podia chover, chamava todo mundo pra ajudar a recolher em sacos. Era a mãe, as crianças, algum empregado... Era uma via crucis. Passado o temporal, seco o terreirão, todos voltavam pra esparramar aqueles grãos, que não eram apenas grãos. Havia uma vida, uma história de amor, gratidão para com aquele café, que foi, de certa forma, a maneira de subsistência de toda a família, quando chegados da Itália à  terra desconhecida.

Depois de seco, peneirado e ensacado, separava-se uma parte para o consumo anual, reservavam-se algumas sacas para presentear os empregados, e o restante permanecia nas tulhas, esperando um bom preço pra ser vendido. Beneficiado, o café  da família era torrado em casa, num fogão a lenha improvisado  no quintal. Era um aparellho redondo, de ferro, com uma manivelinha que, ativada, fazia os grãos circularem livremente dentro daquela bola. E tinha uma abertura, de onde, vez ou outra, se retirava um grão pra ver se o café estava no ponto. Não podia passar, senão ficava com gosto de queimado, e o pai ia reclamar.

 Finalmente, o café estava pronto, esperando pra ser moído na hora de ser servido. Sobre a chapa do fogão da cozinha havia sempre um bule do mais puro e cheiroso café.

As verduras vinham todas da horta. A mãe se incumbia de preparar a terra, semear, replantar, aguar. De manhã, antes que o solão aparecesse, ela colocava um sapato bem resistente, um chapéu de palha, e ia pra horta. Naquele momento, não gostava de ser perturbada. Enchia bons regadores de água com que molhava os canteiros: a alface (tinha de vários tipos),o almeirão, os repolhos. Não faltavam também o quiabo, o pimentão, a couve-flor, a abobrinha, as berinjelas, a vagem, o milho verde... Do chuchu nem precisava cuidar, dava em qualquer lugar. Nos finais de semana, com muito orgulho, ela enchia bacias da sua produção e mandava pra tia Elvira, pra tia Zefa...

Fruta comprada, raramente. Às vezes, quando íamos a Jaboticabal, arriscávamos, lá no mercado municipal, a compra de uma maçã argentina (tentadora, envolta no papel de seda roxo, cheiro irrsistível) ou de uma pera. Mas era uma extravagância! Eram frutas muito caras, só pra quando alguém estivesse doente. Pra fazer vitamina! Consumíamos, então, as frutas da época, apenas. Não era sempre que tinha laranja, nem manga. Bananas, goiaba, mamão, tinha praticamente o ano inteiro.

As carnes também eram de casa. De porco, de galinha... A ave se pegava no quintal toda semana. A mãe pegava, puxava o pescoço, depenava com água pelando e cortava os pedaços. A parte melhor ficava pro almoço do domingo. A cabeça e os pés iam para o brodo. O fígado, a moela serviam pra recheio.

Os ovos, todas as tardes eram catados no galinheiro.Ou em ninhos escondidos...

Apenas a carne de vaca era comprada. Uma vez por semana, aos sábados, alguém ia lá no Santo Campanharo e seguia as instruções da mãe: "Compra um quilo de carne boa". Carne  boa era carne sem gordura, sem ossos, pra bife. Bife em molho.

Do leite, do curral, eu não gostava nenhum pouco.Achava que ele se misturava ao xixi das vacas, que tinha um gosto esquisito. Apenas adulta tomei gosto pela bebida (já na caixinha). Mas dos queijos, requeijões, da manteiga batida na garrafa sobre o pão feito em casa...

sábado, 24 de setembro de 2011

SOBRE OS BEBÊS

 Se, hoje, falar sobre sexo é ainda um tabu pra muitas pessoas, imagine lá pelos idos dos anos sessenta! "Menina, fica quieta", ouvi da mãe certa vez, quando falei, muito feliz, que a irmã tinha contado, na carta, que estava grávida (Só pra ilustrar, sem me adentrar nadinha na questão). Muito tempo depois, fiquei sabendo que em outros lugares mais desenvolvidos do mundo, naquela época, as mulheres  estavam queimando sutiã e tomando anticoncepcionais- uma grande revolução se iniciava.

Mas, falando ou não sobre o assunto, a verdade é que as crianças nasciam.Como nasciam!Graças a Deus! Na minha família e nos arredores, nasciam em casa, quero dizer, na própria casa, ali, bem pertinho da gente. Crianças barulhentas e saudáveis chegavam berrando ao mundo: na casa do sobrinho, dos trabalhadores do sítio, na casa do vizinho, dos parentes.O fato do parto ser em casa, e não no hospital, aguçava ainda mais a curiosidade da molecada. Tão perto e tão distante o mistério do nascimento, para o desespero dos pais, que não sabiam como lidar com a situação complicada  O que faziam era nos expulsar dali de perto.

Não diziam que o bebê vinha da cegonha, não. Como, assim, cegonha, naquele lugar cheio de sol, a  céu aberto, fácil da gente fiscalizar? Arriscavam-se a dizer que foi  Nossa Senhora quem trouxe, ou que foi encontrado em algum lugar, ou que foi encomendado."Fulana encomendou nenê".Ótimo, a pessoa encomendava e, num belo dia, o farmacêutico ou a parteira levava na casa de quem fez o pedido.

A verdade é que bobo ninguém era, e íamos descobrindo o mistério, como um quebra-cabeças: a barriga que crescia, depois desaparecia;a professora ficava barriguda (eu olhava de pertinho entre os botões do vestido,aberto na frente, e não via sequer a pele coberta em panos; depois ela saía de licença). O movimento na casa da grávida, naqueles dias, aumentava. A parteira ou acompanhante  era chamada (Oi, fulana, fala pra sua mãe dar uma passadinha por aqui, depois do almoço) e, às vezes, ela demorava pra voltar. Minha mãe tinha essa função de acompanhar as mulheres vizinhas quando iam ganhar nenê. Então, bem mais tarde vinha o farmacêutico, seu Bahu, com a sua maletinha. Traria ele um bebê dentro da maleta? Mas onde arrumaria esse bebê?

Ficávamos muito, muito, intrigadas, eu e minhas primas. E, no topo de uma porteira de tábuas a uns bons metros de distância do local, o  mais próximo que podíamos ficar, espichávamos os olhos e ouvidos a mais não poder, na ânsia de conseguir  a verdade.

Até que um dia, finalmente tivemos a certeza: sim, o bebê ficava na barriga.

Mas como ele fazia pra entrar lá?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Os oveiros

Quase nada nos tirava daquela vidinha monótona e sem graça do sítio.

 Vez ou outra uma visita, um parente  da cidade, mas isso era aos domingos e dias santos. Na semana, a visão ainda longe de um vulto qualquer era motivo de expectativa  e de ansiedade. Quem seria?

 Ora era um vendedor de adubos ou de venenos para as plantações, ora um comprador de café ou de algodão, ora um capador de porcos...A verdade é que, para as crianças, isso não tinha graça nenhuma. Ero o mesmo que nada.

Bom mesmo era o dia do oveiro. Ele chegava vagarosamente no seu carrinho de madeira, puxado a cavalo, abarrotado de bugigangas e de novidades. Tinha  balas, doces... De agulhas e linhas a joias e porcelanas.

Os oveiros eram assim chamados porque, além de vender produtos, eles compravam os os ovos de galinha ( as galinhas também) oferecidos pelas donas de casa .Elas colhiam os ovos, às vezes dúzias (dinheiro de ovo era da mulher) e depois trocavam pelas ofertas dos mascates.

A mãe guarda, ainda,  um jogo de xícaras coloridas bem trabalhadas  adquiridas naquela época. Estão na sua cristaleira, na copa e cozinha. Um outro bonito jogo de  xícaras  de chá, de porcelana, com duas flores sobrepostas à louça acetinada, onde se lê  Boas Festas, foi furtado do seu armário. Cada uma das filhas pegou uma. A que me coube é verde clarinho.

Teria comprado do finado Zé de Almeida? Talvez do Toninho Gil. Do Nego do Maçu tenho certeza que não foi, diria ela, saudosa!

Guardo também, dos oveiros da infância, algumas poucas joias: umas medalhinhas,  anéis...como se pudesse, com elas, não deixar morrer aquela época!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

De caminhão pau de arara


DE CAMINHÃO PAU DE ARARA


Naquela época, não era fácil estudar além dos quatro anos primários, na nossa cidadezinha. Não havia ginásio e quem quisesse ou pudesse continuar os estudos tinha que chegar  até as cidades mais próximas. A prefeitura cedia um caminhão pau de arara.
Era um caminhão coberto com uma lona velha, marrom, que cobria os bancos de madeira improvisados e transportava  aqueles seres quase ets, tão raro era estudar naquela época. Depois de ter passado pelo processo de admissão, etcetera e tal.
 O caminhão estacionava bem no centro, na praça, ao lado do bar, naquela época do tio Severino. Às sete saía. Quem tinha mais sorte ia na cabine com o motorista, nosso grandioso seu Dudu.Ir na cabine era ter garantia de ficar imune às quedas, pisões nos pés, aos puxões de cabelo, mudança
 de lugar, enfim, de todo tipo de situação natural ou criada pelos veteranos.Mas com certeza era perder toda a "azaração". As moças mais velhas, Sílvia Bazon, Marci Manente, Jandirinha Araújo, Carmem Castro lideravam: inventavam as brincadeiras, criavam as músicas e estimulavam a moçada a cantar.

"O caminhão dos estudantes já não pode mais andar.
Os pneus estão carecas,
E é preciso consertar."

Havia paqueras, namoricos que não iam além de pegar nas mãos. Faziam-se amizades e se ficava de  mal. E de bem. E a vida ia devagar, e bem!
O difícil  mesmo era quando chovia. Como havia buracos na lona, alguns passageiros eram premiados. A estrada de terra...o caminhão encalhava. O jeito era todo mundo descer.  Os rapazes auxiliavam com enxadas, retirando a lama...E haja força pra empurrar o caminhão.
Sem sucesso, então uma grande procissão se formava e a pé chegávamos à escola. Atrasados e enlameados, às vezes. Dependendo de onde havia acontecido o entrave, teríamos andado três, quatro quilômetros.
Os professores e funcionários  nos recebiam muito bem, e os constantes elogios deixavam os estudantes locais cheios de inveja. Havia, de verdade, uma rixa entre as duas cidades.
" Lá vêm os índios", diziam, então, nossos anfitriões.
E assim, como índios e de pau de arara, foram feitos os inesquecíveis anos do ginásio!
Que privilégio!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

De trem, para São Paulo

                          

Naquela  tarde, a mãe estava ainda mais atribulada. Foi mandando todo mundo fazer alguma coisa. Que eu fosse tomar banho, me lavar direito, tirar aquelas cranhas do joelho, limpar bem os ouvidos, as unhas, um banho de verdade. Banho, banho mesmo, não era simples naquela época de água do poço: tinha que esquentar a água, encher um recipiente parecido com um balde, com torneira e chuveiro, e prender no gancho do teto do banheiro. Era abrir a torneira e se esbaldar. Mas tinha que ser esperto, fazer economia, porque logo a água acabava.

Esse alvoroço era por um motivo mais que especial, que eu fiquei sabendo na horinha: no ou-tro -di-a- a- gen-te i-ri-a -pra- São Paulo. De trem.

Ir pra São Paulo era um sonho, uma viagem e tanto. Gente rica, bem arrumada, ônibus, fogão a gás, luz elétrica, geladeira, água nas torneiras, carros e mais carros, eu pensava. A minha referência eram tios e primas que moravam lá e quando iam passear no interior, chamavam  a atenção de todo mundo, eram muito bem tratados. Alegres, levavam máquina fotográfica, presentes...Gostavam de andar a cavalo, de enjoados que estavam de andar de ônibus, de carro.

Pois bem, me vestiram a roupa mais nova, feita pelas irmãs. Era de um tecido xadrez.Não lembro exatamente, se vermelho e azul, ou vermelho e verde. Uma jardineira: saia acinturada, com pregas de uns três centímetros, com um peitilho do mesmo tecido, de onde saíam as alças até as costas, que as meninas usavam com uma blusa por baixo, normalmente branca e de mangas fofas.

Logo de manhã, o carro de aluguel foi nos buscar no sítio. Era o seu Tinô, todo elegante com seu bigode e roupa cáqui,  que nos levaria até Taiúva, onde havia a estação de trem.

Apitos próximos despertaram meu sossego e me deslumbraram. Embarcados, podia sentar, andar de um vagão para o outro, conversar com as pessoas, comprar bugigangas que passavam oferecendo. Pedi para o pai me comprar um livrinho. Era de um formato arredondado, não lembro o tema, bem colorido, de letras grandes. Foi o primeiro livro de história que eu vi e li, com muito prazer, aos nove anos.

A hora das refeições era uma novidade: tomar lanche e até um pequeno almoço nas mesinhas arrumadas num vagão. Um café...Sem trabalho algum!Nem precisava fazer em casa.

Mas do que gostei mesmo foi de ver a paisagem. Nas "pontas" do trem havia um espaço, como que um terraço, onde as pessoas podiam ficar, de pé, observando o que se passava : pastos, árvores, animais e as casas que iam ficando para trás, pequenininhas... Cidade, outra cidade (Qual seria aquela? Lembrava da lista inteira das cidades  que a linda dona Maria Carmem deu pra decorar na aula). Curva, vento, montanha! E o rabinho do trem, lá do outro lado. Piuís e choque-choque do barulho do trem, que deslisava altivo e sem medo, o seu longo caminho.

 Quanta coisa bonita havia  nesse mundo e eu nem sabia!, eu pensava. Quando voltasse à escola, haveria de fazer uma redação. Ah,ia!

Não sei se a redação foi feita de verdade, mas, com certeza, nada dessa viagem se perdeu.Talvez porque tenha sido a primeira. Ou porque tenha sido a única: o pai, a mãe e eu.


   Parabéns, São Paulo!!! Como eu gosto de você!!!








segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ele é estudante!

Naqueles tempos não era comum estudar além do quarto ano do grupo escolar. Estudar era para uma minoria, para uma elite, como soube bem depois.

 Nos quatro anos primários, no grupo escolar,  aprendia-se a ler, a escrever (a criança entrava na escola aos sete, oito anos, sem às vezes nunca ter pegado um lápis na mão), a fazer as quatro operações. No nosso caso, o suficiente para viver na cidadezinha do interior, movida a agricultura, longe dos jornais, das revistas, da escola secundária.

As crianças, em geral, terminavam o grupo escolar e iam ajudar os pais na lavoura, ou ajudar a cuidar dos irmãos. Ou não faziam nada. A verdade é que estudar era sonho de poucos. Estava muito aquém da realidade. Ou pela falta de estímulo, ou pelo fator econômico e geográfico.

Na minha cidade, para continuar os estudos, além do apoio dos pais, da muita vontade e determinação, era preciso sair de casa. Morar com parentes (aos onze, doze anos) ou, na melhor das hipóteses, viajar de caminhão pau de arara, em estrada de terra, até as cidades mais próximas. Tudo isso depois de passar pelo exame de admissão. Sim, era  um vestibular que a gente prestava para poder frequentar o ginásio. Quanta gente desistiu porque não passou no teste!

Ah, mas havia quem se submetesse a tudo isso! (Normalmente os filhos mais novos). E, pasmem, esses "seres" adquiriam características especiais perante os outros (para o bem ou para o mal); formavam o que hoje se diz, uma tribo:  dos estudantes!

 Ser estudante impunha um certo respeito: às vezes, constrangimento, até, em algumas pessoas. "Olha, conversei com fulano, ele disse isso, e ele é estudante, hein!". "Ah, ele é metido, não dá bola pra ninguém"." Fulana? ah, tá namorando um estudante!","Não vou lá, não, tem estudante! Éramos uns verdadeiros ETS.

A máxima que eu ouvi sobre isso, foram palavras do pai, que, embora grande estimulador do conhecimento e da cultura, via "essa gente" sempre com um pé atrás. "Eles são comunistas", dizia,  então se baseando nos estudantes atuantes na ditadura militar."Deus me livre uma guerra", quando lembrava as dificuldades por que passou  na Primeira Guerra Mundial, quando a família ainda estava na Itália.

 Quando questionado queimando sorrateiramente, no fogão a lenha da cozinha, o livro que ganhara mais recentemente "Eram os deuses astronautas?", retrucou: "Estudam tanto e não acreditam em Deus. Dio mio!"

Fora os pressentimentos negativos do pai, a verdade é que, para mim, foi  um privilégio enorme poder, mesmo de forma acanhada, fazer parte dessa tribo. Uma transgressão: a maior e melhor de todas da minha vida.