quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Os oveiros

Quase nada nos tirava daquela vidinha monótona e sem graça do sítio.

 Vez ou outra uma visita, um parente  da cidade, mas isso era aos domingos e dias santos. Na semana, a visão ainda longe de um vulto qualquer era motivo de expectativa  e de ansiedade. Quem seria?

 Ora era um vendedor de adubos ou de venenos para as plantações, ora um comprador de café ou de algodão, ora um capador de porcos...A verdade é que, para as crianças, isso não tinha graça nenhuma. Ero o mesmo que nada.

Bom mesmo era o dia do oveiro. Ele chegava vagarosamente no seu carrinho de madeira, puxado a cavalo, abarrotado de bugigangas e de novidades. Tinha  balas, doces... De agulhas e linhas a joias e porcelanas.

Os oveiros eram assim chamados porque, além de vender produtos, eles compravam os os ovos de galinha ( as galinhas também) oferecidos pelas donas de casa .Elas colhiam os ovos, às vezes dúzias (dinheiro de ovo era da mulher) e depois trocavam pelas ofertas dos mascates.

A mãe guarda, ainda,  um jogo de xícaras coloridas bem trabalhadas  adquiridas naquela época. Estão na sua cristaleira, na copa e cozinha. Um outro bonito jogo de  xícaras  de chá, de porcelana, com duas flores sobrepostas à louça acetinada, onde se lê  Boas Festas, foi furtado do seu armário. Cada uma das filhas pegou uma. A que me coube é verde clarinho.

Teria comprado do finado Zé de Almeida? Talvez do Toninho Gil. Do Nego do Maçu tenho certeza que não foi, diria ela, saudosa!

Guardo também, dos oveiros da infância, algumas poucas joias: umas medalhinhas,  anéis...como se pudesse, com elas, não deixar morrer aquela época!

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