quinta-feira, 16 de agosto de 2012
COM QUE ROUPA EU VOU
Roupa, naquela época, quase que se resumia a vestidos. Ou saias, que, lá em casa, não podiam ser muito curtos, embora fosse o auge da minissaia.
Tinha o vestido rosa de renda, tipo tubinho, do casamento da prima; o verde-musgo acetinado da festa de São Benedito; o estampado vermelho e branco (Que bonita você tá, dizia o primo Luis, quando me via com a roupa); o vermelho-escuro, de gola olímpica, que eu estava usando no dia em que fui pedida em namoro pelo menino bonito lá da cidade vizinha...
Mas as calças Lee, dos anos 70, começaram a chegar na cidade. Importadas, davam status a quem usava. Fulano estava de calça Lee? Ah, então interessava. Eu usava, escondido do pai. Saía de casa com uma roupa, depois trocava na casada tia. E as saias, pra ficarem mais curtas era só dar uma uma enroladinha na cintura, depois abaixar. Fazíamos isso na escola, na hora da entrada. E o seu Irapuã, inspetor, nem percebia. "Izolda, não tem um pedaço de pano aí pra pregar na roupa dessa menina? Mamma mia", era uma frase do pai já familiar pra mim.
No frio, uma blusa de lã era o suficiente. Abertas, com botões, elas duravam anos, já que quase nem se percebia muito a mudança de estações naquela terra de tanto sol. No mais, havia os saiotes, sempre usados sob as saias dos vestidos.
Nenhuma dessas peças era comprada pronta, na minha família. Todas costuradas pelas irmãs, que tinham o curso de Corte e Costura (As meninas, em geral, quando ficavam moças, ganhavam de presente uma Singer ou Elgim, que, ao casarem, levavam de enxoval, junto com uma cômoda de roupas bordadas) e costuravam muito bem pra toda a família. Senão, procurávamos com antecedência as costureiras da cidade.
Decidida a confecção da roupa, víamos o dia de ir à Jaboticabal ou Bebedouro, de jardineira, comprar os tecidos, ver as vitrines na casa Paris. Aproveitávamos pra tomar vitamina e comer pastel de queijo na rodoviária. Se sobrasse algum dinheiro, levávamos pra casa maçãs cheirosas embrulhadas no papel de seda.
Os aviamentos (linha, botão, zíper...) eram comprados na cidade, mesmo, no bazar da Marli, ali do lado da praça ou da Luzia, mais lá embaixo. Mais lá embaixo, ainda, na dona Gracinda. O modelo tirávamos das revistas, e as roupas ficavam bonitas e "na moda". Assim foi até os dezoito anos, mais ou menos, quando fomos adquirindo, então, alguma peça pronta.
Chegavam as festas de São José e São Benedito, era dito e feito: tinha que ter vestido novo pro último dia. Primeiro a procissão, depois a quermesse. Os vestidos mais novos eram depois usados pra ir à missa. E quando chegávamos em casa, era só trocar por um mais velho.
Tudo simples. Ou quase!
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Não tem um pano pra colocar nessa saia?
ResponderExcluirAh, é mesmo! Vou acrescentar!
ResponderExcluirAgora sim!!
ResponderExcluirE os sapatos???