Para a tia Luiza, com carinho
Luizinha - o nome, em letras de forma com desenhos em xis, é a maior manifestação material de carinho que tenho da minha infância. Está grafado, quase se apagando, no centro de uma canequinha de alumínio banhada a verniz, que lhe confere um aspecto dourado, já não reluzente. Foi um presente da madrinha, também Luiza, daqueles tempos de poucos mimos.
Quando nos visitava, com saudades da nona, a madrinha trazia de São Paulo, às vezes, alguma lembrança. Era um conjunto banlom amarelo-clarinho ( uma malha de manga curta, fechada, e uma de manga longa, aberta, conjunto chique que eu usava para ir à missa). Ou uma sombrinha xadrez, de babado na beirada.
Os presentes da tia Luiza foram talvez os únicos da minha infância. E a canequinha, após uso doméstico por muitos anos na cozinha da mãe, nunca me fugiu aos olhos. Hoje está guardada na cristaleira da minha sala. É como se eu resgatasse um tempo, que teimo incansavelmente desvendar. É impossível passar pelo objeto, ler o nome, e não me emocionar. Poderia ser apenas Luiza. Mas é Luizinha!
Nenhum comentário:
Postar um comentário