E a bela prima Lúcia relembrou, com olhos muito brilhantes, uma história que eu não conhecia dos tempos que moravam com a nona.
Morava na mesma casa muita gente. Os irmãos (homens) iam casando, formando suas famílias, criando os filhos, sem sair da casa dos nonos. Eram cunhadas convivendo no mesmo espaço, dividindo serviços, dificuldades e até mamada para as crianças. Explico: como, às vezes, coincidia de os filhos nascerem mais ou menos na mesma época, aquela que estivesse em casa, dava de mamar no peito para as crianças, fosse a mãe ou não da criança. Eram primos dividindo brincadeiras, atenção e por que não dizer comida também.
A nona comandava a cozinha e não era fácil alimentar tanta gente. A prioridade eram os homens, que pegavam pesado logo cedo na lavoura do café. E o pão, que era escasso, era reservado a eles. As crianças que comessem a costumeira polenta.
E é aqui que entra a história da Lúcia. A nona guardava o pão dentro de uma sacola, pasmem, dentro do quarto dela, num baú. Não, o pão não podia ficar à mercê daquele bando de criança. O que ela ofereceria no outro dia para os homens?
Mas as crianças eram arteiras..E esperavam o momento certo de adentrar, pé ante pé, o quarto da nona, quando ela estava dormindo. E de migalha em migalha, lá se ia o desejado pão. Mas a nona também era esperta: deitada, colocava o livrinho de oração sobre o rosto e ficava esperando os anjinhos. Imagine o susto deles quando ela se levantava e, no seu italiano exagerado, esparramava com eles todos. Não, não tinham tido sucesso naquele dia.
-O bom é que, às vezes, a nona fazia de conta que não estava vendo, contou a Lúcia, com os olhos então ainda mais brilhantes. -E ela deixava a gente roubar à vontade!
um mês semm escrever nada????
ResponderExcluirEsta história me faz recordar bons momentos vividos ao lado de minha mãezinha e o que marcou mais é que quando tive acesso a ela meu filho José Ricardo teve a oportunidade de conhecer essa linda história de crianças inocentes e sadias. Beijos Carminha
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