Quando ia entardecendo, era hora de acender as lamparinas.
Eram feitas em casa mesmo. Pegavam-se pequenos vidros ou latas usados, amarrava-se uma sustentação de arame ou metal qualquer para a haste, colocava-se um pavio com um feixe de barbante, que ficaria imerso no poderoso querosene.
Ah, o querosene! Quanto foi queimado pra iluminar as noites de breu do sítio Bela Vista! Acendiam-se uma ou duas lamparinas em cada cômodo que tivesse gente, fosse na cozinha pra fazer a janta, arrumar a cozinha, debulhar milho; na sala, pra bordar, costurar, ler ou pra ouvir o rádio (a hora do Repórter Esso era solene - a das radionovelas também). Para o quarto, a lamparina apenas nos transportava. Aí, realmente tudo ficava escuro.
Pra transitar de um cômodo pro outra tinha que carregar uma delas, pois o espaço era imenso pra tão pouca luz.Tenho bem clara a imagem da mãe andando pela casa com a sua, ajeitando as coisas antes de dormir: era recolher as vassouras (podia chover), apanhar alguma roupa que por acaso ainda estivesse no varal, e as lenhas.Teria lenha suficiente pra fazer o café no outro dia? E os fósforos, estariam lá no lado da cama pra usar de manhãzinha?
Lembro que quando chegou, felizmente, a luz elétrica, a mãe continuava a acender as lamparinas pra perambular pela casa. Mal imaginava ela as maravilhas que ainda poderíamos vislumbrar.
E não sobrou nenhuma lamparina pra contar história né?
ResponderExcluirAinda bem que vc conta!!
Parabéns pelo blog!
ADOREI!