quarta-feira, 29 de junho de 2011

Batatinha quando nasce...

Era obrigatório comemorar as datas cívicas  nas escolas naquele período de Regime Militar, além, é claro, de cantar o Hino Nacional todas as sextas-feiras, em silêncio de morte, enfileirados, com a mão no peito.

 Dona Delphina  procurava alunos para declamar, recitar poesias,  jograis, enfim, precisava preparar a apresentação dos seus alunos do primeiro ano.  Era 21 de abril, logo no início do ano. Precisavam homenagear Tiradentes, e ela ainda não tinha descoberto os "talentos" daquela turma. Foi quando perguntou:
- Alguém de vocês, por acaso, sabe alguma poesia pra recitar no dia da festa?
E eu imediatamente levantei a mão. Eu sabia sim, de cor, uma poesia.
- Então, como é a sua poesia?
E, sem nenhum constrangimento: " Batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão; nenezinho quando dorme, põe a mão no coração."

Não me lembro com clareza da reação da querida professora, não sei se ela se questionou muito sobre a "poesia" a ser apresentada naquela data. Nem se sofreu com a decisão. Mas no dia da festa, estava eu lá, firme e feliz, sob o aplauso da plateia.

Assim sou eu: enxerida, amante das palavras, dos aplausos, do sempre ter o que dizer. Sempre!
                               

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