Era bom quando chegavam as festas de final de ano.
Não que fosse uma data muito aguardada, na ânsia de ver Papai Noel ou dele ganhar presentes. Absolutamente. Papai Noel era apenas visto nos cartões de Natal que a família recebia dos parentes de São Paulo ( Estimada irmã e família... dizia a tia Cida), dos fornecedores de adubo, dos compradores de café. Chegava o Natal, chegavam os cartões.Tinha os simples e aqueles com musiquinha ( ... já nasceu o Deus menino, para o nosso bem...). Outra referência era a escola, quando a professora dava o modelo, a gente punha embaixo da folha, copiava sem tremer nenhum pouquinho as mãos e pintava bem caprichado, com os lápis mais bonitos, os papais noéis, as velas, as estrelas.
Presentes não havia. Nem do bom velhinho, nem de ninguém. Lembro, entretanto, certa vez, cismei que poderia ganhar um presente. Fiz a carta, pedi um brinquedo, uma boneca, talvez. Era pra colocar a carta nos sapatos embaixo da cama ou na janela? Acho que coloquei na janela.
Não, não houve presente, mas a mãe, sabendo da história, providenciou que a mana, voltando da Missa do Galo, trouxesse para mim uns doces, que foram comprados na padaria da cidade. Eram uns sonhos recheados, que eu recebi das suas mãos, meio decepcionada.
Compras, luzes, ceias, presentes, reveion, definitivamente, não fizeram parte do meu mundo infantil.
Mas Natal era dia de muita fartura, de comer azeitona, de tomar refrigerante (cada criança ganhava uma garrafa de maçã Tupinambá e tomava no gargalo, devagarinho, pra fazer economia), de fazer muita farra. Além de ir à missa, confessar, ver o presépio...
No almoço tinha frango recheado, pernil de porco, arroz de forno... Na véspera, a mãe pegava os frangos no quintal, puxava-lhes o pescoço e logo, logo ia preparar o mais gostoso: a farofa, que eu me lembro de ajudá-la a fazer. Ela moía uma porção de carne de vaca e misturava aos miúdos do frango: coração, moela...Engrossava o caldo com farinha de mandioca e colocava as cobiçadas azeitonas. Só no Natal havia azeitonas. Os frangos ficavam no molho até o outro dia, quando então eram assados vagarosamente no forno a lenha da cozinha. De pouco em pouco a mãe, com o suor escorrendo pelo rosto, virava os assados, com muito cuidado, para que não queimassem.
E após o almoço, então, o Natal terminava. Tão rápido quanto chegara!
Ainda bem que logo viria o Ano- Novo. Esse sim, era bom! Era dia de pedir bom princípio, e de ganhar uns bons trocados!
O natal tem muito mais que os presentes, compras e ceia.
ResponderExcluirTem uns motivos muito mais difíceis de explicar. Você explicou bem os seus daquela época.
Eu ainda não sei explicar os meus, mas asei que quero o pisca pisca no quintal!!