quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Fazendo a América- Brasileiros para sempre
Ser filha de italianos sempre foi um fator importante na minha história. Com orgulho contava de cor a história que eu sabia: o pai viera da Itália com 14 anos, a família tinha vindo de navio, sofreu muito com a guerra...
Que orgulho conviver com o nono e nona, ouvir desde pequena uma língua estrangeira, comer coisas com nomes esquisitos, morar na casa com um monte de gente (os irmãos casavam e alguns continuavam morando com os pais, de forma que os primos cresciam juntos), ir à missa todos os domingos...
Mas a minha memória pouco guarda além dessas lembranças.Talvez pelo pouco tempo em que convivi com os nonos, por ser muito criança, ou porque eles não gostavam mesmo de falar muito disso. É como se fosse algo sagrado, um mito, alguma coisa inacessível, apenas pra preservar, intacta.
Apenas tia Assunta era de contar muitas histórias. E entre aquelas de crime e de assombração, ouvidas no rádio e as de amor, das revistas, volta e meia, surgiam as histórias da Itália, que eram as que realmente me fascinavam.
Tento reproduzir as informações assim, em flashes, do jeito que a minha memória infantil registrou:
*A família é originária de Treviso, região do Veneto, na Itália.
*Os nonos, Giusepe Momesso e Antonia Bassi Momesso, tiveram 11 filhos: Maria, Elvira, Amábile, Assumpta, Adélia, Sílvia, Luiza, Ângelo, Hermínio, Mário e João.
*Deixaram a Itália em 1924, após a Primeira Guerra.
*Meu pai, Mário, era coroinha da igreja no pequeno vilarejo, e ganhou do padre os 5 anos de estudo.
*Durante a guerra, escondiam alimentos embaixo da terra para soldados não roubarem.
*U irmão do nono, marido da tia Nieta, morreu na guerra, na Alemanha.
*O nono Bepe chegou ao Brasil 3 meses antes que a família, para procurar emprego.
*A tia mais velha, Maria, casada, não acompanhou a família ( Nunca mais viram essa tia, apenas se comunicaram, por algum tempo, por carta).
*Junto com a família vieram uma cunhada do nono ( tia Nieta) e dois filhos: Severino e Remígio.
*A viagem de navio foi longa ( meses) e triste. No porão do navio um filho de 2 anos, gêmeo da tia Luiza, não suportou a viagem. Foi entregue ao mar.
*Chegaram ao interior de São Paulo, numa fazenda de café.
*Trabalharam como colonos, depois como meeiros.
*A família dos fazendeiros eram os Betinni.
*O nono e um filho do fazendeiro foram esperar os imigrantes em Santos.
*O fazendeiro logo que viu, se apaixonou pela bela tia Elvira. E se casaram.
*A vida era dura também na terra estrangeira: a língua, os costumes...
*Tinham que trabalhar de sol a sol, fazer muita economia pra poder, finalmente, adquirir o seu próprio pedaço de terra.
Não, em nenhum momento deixaram transparecer alguma dúvida sobre a decisão de ter mudado de país, de enfrentar com muita coragem a América. A famosa terra realmente era boa, "o melhor país do mundo", ouvi várias vezes do pai , mesmo quando a saudade da terra natal batia forte. Aqui não havia guerras, terremotos, e tinha muita, muita terra pra cultivar. Seriam eternamente gratos, brasileiros para sempre!
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São flashs né?
ResponderExcluirforam bem repassados, eu sabia de quase todos...
Pena não ter detalhes de cada um desses flashs, acho que eu vou inventar... vamos?
Tá demorando pra ter novidade aqui...
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